segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Culturama: On the road again
Com nova formação e após uma guinada para o rock clássico, a lendária The Not Yet completa duas décadas de estrada reafirmando sua grande vocação: o palco.
Formada em Goiânia pelo guitarrista André Mols em 1992, a TNY (antiga The Not Yet Famous Blues Band) preparou para 2012 um retorno comemorativo com uma formação bem próxima da original. O ano passado marcou a primeira pausa da longa trajetória da banda. A única baixa foi o baterista Wagner Calil, que retomou a carreira como piloto de aviões, mas foi substituído à altura por Fred Valle, primeiro baterista do grupo. O elenco conta também com o baixista Carlos Marx, que estudou com mestres como Marcelo Maia e Alex Solano no Rio de Janeiro. Após uma temporada de seis meses tocando na Austrália, André Mols promete retomar a grande vocação da TNY: o palco.
No final do ano passado, os bluseiros gravaram dois de seus shows no Bolshoi Pub, e registraram o recorde de público na mais renomada casa de shows de Goiânia. O resultado será lançado este ano em DVD e, para completar, a banda está em fase final de pré-produção de seu oitavo CD de estúdio. Gradativamente, eles retomaram a veia roqueira que, diga-se, é a sua raiz, bem ao estilos das grandes “Jam Bands” dos anos 70. Seus discos mais “blues” são os três primeiros. A partir do álbum “N.O.S.”, houve uma guinada irreversível para o rock clássico.
Autor de todas as músicas da banda, André Mols - que é mestre em Estudos Literários e também atua como Relações Internacionais em projetos no Brasil e no exterior - lembra que a primeira fase da banda é inesquecível. Antes de se firmar como referência do blues-rock nacional e esgotar ingressos nas mais conceituadas casas de espetáculos de Brasíla, São Paulo e Florianópolis, o trio fez muitos shows em Brasília, Caldas Novas, Pirenópolis, Rio Verde e Jataí. A boa notícia para os amantes, maridos, esposas, órfãos e agregados do blues é que a TNY está pronta para pegar novamente a estrada.
KING’S PLAYLIST [POWER TRIOS]: 1. Rush - YYZ | 2. Jimi Hendrix Experience - Castles Made of Sand | 3. Stevie Ray Vaughan & Double Trouble - Little Wing | 4. The Police - Walking on the Moon | 5. Nirvana - Breed | 6. Cream - White Room | 7. ZZ Top - I'm Bad, I'm Nationwide | 8. Them Crooked Vultures - Elephants | 9. Motörhead - Ace of Spades
Ensaio: Nathalia & Camilla
Beleza em dose dupla
Olhando assim, não é difícil entender porque Zezé di Camargo e Luciano são fãs de carteirinha das moças. Elas também já subiram ao palco com Fernando e Sorocaba, Victor e Léo e a dupla Jorge e Mateus.“Sou foda”
A versão de Nathalia e Camilla foi parar na internet e, em poucos dias, virou hit no Youtube. A brincadeira ainda ajudou a conquistar o público do Nordeste.
Camilla não consome álcool e evita refrigerantes. Tudo para manter a beleza da pele.
Fotos Priscila Quiste | Hugo Buarques
Maquiagem Kaká Feld
Entrevista: José Eliton
A opinião do vice-governador de Goiás sobre o constrangimento dos conservadores brasileiros em se assumirem de direita, a popularidade do ex-presidente Lula, a faxina de Dilma Rousseff nos ministérios, Marconi Perillo, Ronaldo Caiado, carreira profissional, família, poder, moqueca de camarão, música e literatura.
O brasileiro é de direita, só que a maioria não sabe. Basta discutir temas como o casamento gay, o aborto ou a liberdade de imprensa para que a população assuma posições bem diferentes do espírito revolucionário da esquerda. A análise é do vice-governador de Goiás, José Eliton Figuerêdo Jr (DEM), que recebeu a King para uma entrevista em seu gabinete no 4º andar do Palácio Pedro Ludovico. Na opinião dele, os governos do PT acalentam políticas mais retrógradas do que os próprios militares no período de ditadura e garante que a maior distribuição de renda já feita no Brasil foi o controle da inflação colocado em prática por FHC. Lula, para ele, é apenas um bom comentarista de futebol. Em sua primeira experiência na vida pública, ele enfrentou grandes desafios. Primeiro foi encarregado de fazer a complexa transição do governo Alcides Rodrigues para a administração de Marconi Perillo e, em seguida, presidiu a Celg no momento de maior tensão na história da estatal. Integrante de uma comissão de juristas que estuda a reforma do Código Eleitoral, já tinha uma carreira consagrada na advocacia antes de entrar na política. Filho de um funcionário de carreira do Banco do Brasil, José Éliton nasceu em Rio Verde no dia 27 de agosto de 1972 e acompanhou as constantes mudanças de endereço da família até fincar raízes na cidade de Posse, onde o pai acabou se tornando prefeito em 1982. Com 1,90 m de altura, foi ainda meia de rede no time de vôlei da turma de Direito da PUC de Goiás e garante que levava jeito para o esporte. Fã de Pink Floyd e Led Zeppelin, pescador e cozinheiro nas horas vagas, não reclama do trabalho, mas lamenta o quanto a vida pública sacrifica o convívio familiar. Sempre que possível, apronta peripécias na agenda para brincar com os dois filhos e preparar uma moqueca de camarão para a esposa.
King - Como o fato do seu pai ter sido prefeito influenciou na decisão de entrar na política?
José Eliton - A gente nunca fica isento desse tipo de influência. Quando ele se tornou prefeito de Posse, eu tinha 10 anos. Quando eu concluí a faculdade de Direito, voltei para a cidade bem no momento em que ele era candidato. Ele precisava de uma assessoria jurídica para a campanha e resolvi ajudar. As campanhas eram artesanais e não existia a estrutura que vemos hoje. E, mesmo se existisse, não teríamos dinheiro para contratar. Então fui estudar direito eleitoral para ajudá-lo. Como Posse é uma cidade polo, acabamos assessorando vários municípios da região. Posteriormente, fui convidado a compor uma parceria com o dr Felicíssimo Sena em alguns processos em Goiânia e tivemos grande sucesso. Pouco a pouco, fui construindo uma participação política, mas não imaginava vir para a vida pública nem me tornar vice-governador. Em 2010, o deputado Ronaldo Caiado formalizou o convite para que eu participasse da eleição. Como eu era filiado ao DEM, entendi que deveria estar pronto para servir o partido.
Ao contrário de muitos outros, o sr entrou na política partidária sem ter passado pela política estudantil. Por quê?
Eu sempre tive um pensamento ideológico conservador e os movimentos estudantes são quase todos aparelhados pela esquerda. Você ouve falar alguma coisa da UNE hoje em dia? Ela está numa posição de subserviência aos partidos de esquerda, especialmente o PT. O jovem é questionador por natureza. Se você tira dele o poder de questionar, você mata esses movimentos. O PT matou o movimento sindical, porque tornou todos apaniguados do poder. Os movimentos estudantis, que faziam o contraponto a qualquer situação política mais desastrosa, também sucumbiu. Como a UNE pode questionar alguma coisa se os encontros são patrocinados pelo governo do PT?
Por que os próprios conservadores se mostram constrangidos em assumir que são “de direita”?
É um equívoco. Se você voltar na história, vai ver que o pensamento liberal, que nasceu na Revolução Inglesa, vem com a característica de combate às estruturas monárquicas, com a bandeira da liberdade, com a valorização do indivíduo e, acima de tudo, de fazer com que o Estado não seja o tutor da vida das pessoas. Ao longo dos anos, a máquina de comunicação do PT vinculou a direita ao período de exceção, mas, na verdade, o militarismo nunca representou os valores da direita, embora tenha se aliado a forças conservadoras. Ao contrário. O governo militar foi altamente estatizante, que é um pensamento adverso à direita. Foi um governo centralizador, o que o identifica muito mais com a esquerda. Um governo que tentou criar conglomerados econômicos, enquanto a vida empresarial brasileira tem uma característica absolutamente fragmentada. Tentaram copiar o modelo mexicano, em que grandes corporações dominam determinados segmentos da economia. Hoje o governo da esquerda repete os mesmos atos dos militares. Olha o BNDES. Ele alavancou o Grupo JBS, na tentativa de criar uma empresa polo para dominar o mercado de proteínas no Brasil. O problema é que a esquerda não tem a coragem de assumir publicamente essas posições.
Mas o sr acredita que brasileiro é conservador ou ele se identifica mais com a esquerda?
A sociedade brasileira é conservadora e defende os valores da direita. Basta fazer uma pesquisa para comprovar que mais de 90% da população é a favor da propriedade privada e da defesa dessa propriedade. Se você for discutir as liberdades individuais, vai constatar que um número esmagador de cidadãos é a favor dessa prerrogativa. A população defende o direito à livre imprensa. O PT quer fazer o controle da imprensa, o que é uma afronta à liberdade de expressão. O brasileiro é extremamente conservador. Uma prova disso é que a maioria é contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao aborto.
Se o brasileiro é conservador, de onde vem a popularidade de Lula?
O único mérito de Lula foi ter mantido a linha econômica criada no governo FHC, que protegeu o país das crises internacionais e permitiu progressos muito fortes. É daí que derivaram todos os avanços, inclusive dos programas sociais. Hoje se você pergunta a um jovem quem acabou com a inflação, ele responde que foi o Lula. Na verdade, a maior distribuição de renda foi o controle da inflação de FHC. Lula transformou a política internacional em política do PT. Ele não criou um programa social. Ele criou um programa de dependência das pessoas. Aperfeiçoou aquilo que sempre criticou como algo da direita, criando um curral eleitoral gigantesco.
Que nota o sr dá para o primeiro ano da presidente Dilma Rousseff?
Não tem como avaliar. Até agora não vimos realização alguma, apenas uma faxina que não termina nunca e a exposição de um sistema de cooptação de partidos através da entrega de ministérios de porta fechada, o que gera um índice de corrupção alarmante. Eu ainda não sei qual é a marca da Dilma.
E para o governo Marconi Perillo?
Começamos o governo com um déficit de mais de 1 bilhão de reais e sem capacidade de investimento para atender as demandas. Passamos o primeiro ano tentando dar solução aos problemas maiores e conseguimos virar a página. Hoje já temos superávit e criamos condições para fazer os avanços estruturais. Reconheço que temos enfrentado problemas na saúde, na educação e na segurança, mas estamos fazendo intervenções muito fortes para garantir um serviço mais digno ao cidadão. Nós não temos preconceito da iniciativa privada e vamos explorar ao máximo as parcerias com as empresas. Analisando os últimos 10 anos, podemos observar que temos condições de enfrentar em pé de igualdade as principais potências do Sul e do Sudeste. Assim que tivermos todos os eixos estruturantes em funcionamento, teremos tudo para ser uma das maiores economias do Brasil. Hoje a nossa economia está centrada principalmente no agronegócio, mas vamos avançar para um processo de industrialização muito acentuado.
Como especialista na área, o que acha que precisa ser mudado no sistema eleitoral brasileiro?
Primeiramente o financiamento público de campanha. Hoje vence a eleição proporcional o candidato mais rico. Sem dinheiro privado nas campanhas, vai acabar a farra da compra de votos e facilitar a ação do Ministério Público. Também defendo a lista fechada, embora muitos possam alegar que ela favoreceria os caciques. Talvez isso aconteça em um primeiro momento, mas ela fortalecerá as discussões internas.
Não existem partidos demais?
Sim, claro. Muitos são criados da noite para o dia sem o menor conteúdo. Recentemente, um partido (o PSD) foi criado porque um prefeito (de São Paulo, Gilberto Kassab) resolveu sair Brasil afora gastando dinheiro e, quando perguntado sobre a ideologia da nova sigla, não soube responder. É um partido de conveniência, que nasceu para estar com o poder onde o poder estiver. É um absurdo. Partido tem de ter uma cara. Também acho que é preciso acabar com as coligações proporcionais.
A gente gostaria que o cidadão José Eliton definisse algumas pessoas e questões em uma frase. Aborto?
Sou contra.
Casamento gay?
Acho que você tem de respeitar as posições individuais de cada um. Agora, a formalização da relação se dá por meio de contrato. Hoje já é assim na relação civil. Independentemente do sexo, duas pessoas podem formalizar a relação através de um contrato. Não precisamos nem podemos afrontar as tradições. Se por um lado a homofobia é um ato absolutamente deplorável, por outro lado não se pode tolher o direito dos que pensam diferente de manifestar nos púlpitos ou onde quer que seja suas posições. É preciso achar um equilíbrio de modo a garantir o respeito à individualidade e, ao mesmo tempo, assegurar o direito de manifestação daqueles que pensam de outra forma.
Marconi Perillo.
Um grande gestor. Um homem competente. Uma das figuras públicas mais expressivas de Goiás. Talvez o maior líder da nossa história, mesmo porque é o único homem a ser governador por três vezes.
Alcides Rodrigues.
Perdeu o tempo.
Lula.
Bom comentarista de futebol.
Dilma Rousseff.
Uma mulher que tem ideologia.
Ronaldo Caiado.
Um homem de posição.
Poder.
Se bem utilizado é importante pra construção de uma sociedade melhor.
Celg.
Já era uma grande empresa formada por grandes técnicos. Agora, saneada do ponto de vista econômico, tem tudo pra se tornar uma das maiores do País.
Corrupção.
Grande demais.
PSD.
Nada.
Uma música.
Wish you were here, do Pink Floyd, mas também gosto muito de Roberto Carlos e Caetano Veloso.
Um livro.
Germinal, de Émile Zola. Maravilhoso.
Um hobby.
Gosto de cozinhar. Faço bem uma moqueca de peixe, mas camarão eu faço melhor ainda.
Em um ano, o sr assumiu interinamente o governo de Goiás três vezes. O sr sonha em um dia ser eleito governador?
Eu defendo com todas as forças que o DEM precisa ter um candidato a governador. Agora, se será em 2014, 2018, 2022, as condições políticas é que vão dizer. Temos figuras expressivas e eu me incluo dentro desse quadro. Se sou filiado a um partido, tenho de estar pronto. Se eu encontrar esse espaço aberto, não tenha dúvidas de que eu enfrento uma eleição. Nesse momento, acho prematuro. Futuramente não teria problema algum.
Qual é o maior ônus da vida pública?
É sacrificar a família. Esse é um fardopesado. É impossível participar ativamente da vida pública sem sacrifícios. Sempre que posso, almoço em casa, brinco com meu filho à noite, mas não tenho mais a mesma convivência de antes. Tento compensar de outras formas e me desdobrar para estar em casa e dar atenção à minha esposa. Quando estou em casa em um domingo, gosto de preparar uma moqueca de camarão e tomar um bom vinho. Procuro preservar a minha família e evito exposições desnecessárias.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Opinião: Onde está o cinema para homens?
Cinema mundial vem passando por processo de infantilização
Tizzo Neto
Adoro cinema. Poucas coisas conseguem prender tanto a minha atenção quanto um bom filme. Um roteiro bem amarrado, atores convincentes e o mínimo de veracidade na história já garantem a minha atenção. Nem sou daqueles fissurados por efeitos especiais. Às vezes, um murro na cara bem dado é muito mais impactante do que milhares de sabres de luz revoando por munhecas retorcidas tela afora.
Ir ao cinema, entretanto, já não faz mais parte dos meus programas preferidos. De uns tempos para cá, tenho preferido assistir a filmes antigos que são veiculados na Tv a cabo no conforto do meu lar, na minha velha televisão de tubo. O cinema não me parece mais um lugar agradável. E não falo somente do cinema daqui de Rio Verde, mas de todos os que já tive a oportunidade de conhecer. De uns tempos para cá, o cinema mundial vem passando por um processo acelerado de infantilização. Esse processo, que parece irreversível, tirou dos filmes qualquer tentativa de “maturidade” e levou às salas um bando de crianças e adolescentes acostumados, no máximo, com o universo de Harry Potter.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber isso. Basta ver quantos filmes de super-heróis estão ou estiveram em cartaz nos últimos tempos. De cabeça, lembro rapidamente de Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma, Batman, Superman, Lanterna Verde, Thor, X-Men, Wolverine e outros. Não há uma semana em que algum filme em que um sujeito usando uma roupa ridícula e uma cueca apertada não esteja em cartaz. São produções de enredo pobre, mas recheadas de efeitos especiais preparados para se tornarem o centro das atenções.
A impressão que me dá é que o público do cinema não cresce. Eu, por exemplo, me sentiria ridículo se alguém me visse na fila do cinema para assistir Lanterna Verde. Mas o que não falta é barbado esperando para conseguir um bom lugar e se deliciar com as aventuras de um mané que invariavelmente sofre muito na vida, até que passa por algum revés, ganha os seus poderes e passa a ser o grande defensor da humanidade. A história nunca muda.
No meu ponto de vista, não há mais “cinema para adultos”. Todos os filmes visam a atingir um público que teima em continuar na infância. Vendo essa situação, lembro-me dos meus dias de moleque. Naquela época, quase não existiam produções voltadas para o público infantil. A gente assistia o que os adultos assistiam. Lembrei disso porque essa semana tive o prazer de assistir a um clássico de minha infância: Robocop, o policial do futuro. O filme, produzido em 1987, é conhecido pela quantidade de tiros e mortes apresentados ao público, que fica sedento por mais um tiro. Tudo isso misturado em uma fictícia Detroit do futuro, onde não há mais camada de ozônio e os estupros acontecem em plena luz do dia. Não há filmes mais assim. Os filmes hoje parecem querer “passar uma mensagem”, têm uma aura de politicamente correto que é extremamente irritante. Tenho certeza de que se um clássico como “O Poderoso Chefão” fosse lançado hoje, seria criticado ao extremo, por ter como protagonista um sujeito que manda matar o próprio irmão.
Serei bem honesto. Só vou ao cinema em último caso. Ainda existe muita velharia de qualidade que não assisti. Ao invés da turba que grita, bate palmas e joga pipoca para cima em numa sala com o volume do som explodindo, prefiro ficar sem camisa e descalço, refestelado no sofá de casa.
Tizzo Neto é publicitário e professor universitário.
Tizzo Neto
Adoro cinema. Poucas coisas conseguem prender tanto a minha atenção quanto um bom filme. Um roteiro bem amarrado, atores convincentes e o mínimo de veracidade na história já garantem a minha atenção. Nem sou daqueles fissurados por efeitos especiais. Às vezes, um murro na cara bem dado é muito mais impactante do que milhares de sabres de luz revoando por munhecas retorcidas tela afora.
Ir ao cinema, entretanto, já não faz mais parte dos meus programas preferidos. De uns tempos para cá, tenho preferido assistir a filmes antigos que são veiculados na Tv a cabo no conforto do meu lar, na minha velha televisão de tubo. O cinema não me parece mais um lugar agradável. E não falo somente do cinema daqui de Rio Verde, mas de todos os que já tive a oportunidade de conhecer. De uns tempos para cá, o cinema mundial vem passando por um processo acelerado de infantilização. Esse processo, que parece irreversível, tirou dos filmes qualquer tentativa de “maturidade” e levou às salas um bando de crianças e adolescentes acostumados, no máximo, com o universo de Harry Potter.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber isso. Basta ver quantos filmes de super-heróis estão ou estiveram em cartaz nos últimos tempos. De cabeça, lembro rapidamente de Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma, Batman, Superman, Lanterna Verde, Thor, X-Men, Wolverine e outros. Não há uma semana em que algum filme em que um sujeito usando uma roupa ridícula e uma cueca apertada não esteja em cartaz. São produções de enredo pobre, mas recheadas de efeitos especiais preparados para se tornarem o centro das atenções.
A impressão que me dá é que o público do cinema não cresce. Eu, por exemplo, me sentiria ridículo se alguém me visse na fila do cinema para assistir Lanterna Verde. Mas o que não falta é barbado esperando para conseguir um bom lugar e se deliciar com as aventuras de um mané que invariavelmente sofre muito na vida, até que passa por algum revés, ganha os seus poderes e passa a ser o grande defensor da humanidade. A história nunca muda.
No meu ponto de vista, não há mais “cinema para adultos”. Todos os filmes visam a atingir um público que teima em continuar na infância. Vendo essa situação, lembro-me dos meus dias de moleque. Naquela época, quase não existiam produções voltadas para o público infantil. A gente assistia o que os adultos assistiam. Lembrei disso porque essa semana tive o prazer de assistir a um clássico de minha infância: Robocop, o policial do futuro. O filme, produzido em 1987, é conhecido pela quantidade de tiros e mortes apresentados ao público, que fica sedento por mais um tiro. Tudo isso misturado em uma fictícia Detroit do futuro, onde não há mais camada de ozônio e os estupros acontecem em plena luz do dia. Não há filmes mais assim. Os filmes hoje parecem querer “passar uma mensagem”, têm uma aura de politicamente correto que é extremamente irritante. Tenho certeza de que se um clássico como “O Poderoso Chefão” fosse lançado hoje, seria criticado ao extremo, por ter como protagonista um sujeito que manda matar o próprio irmão.
Serei bem honesto. Só vou ao cinema em último caso. Ainda existe muita velharia de qualidade que não assisti. Ao invés da turba que grita, bate palmas e joga pipoca para cima em numa sala com o volume do som explodindo, prefiro ficar sem camisa e descalço, refestelado no sofá de casa.
Tizzo Neto é publicitário e professor universitário.
Culturama: De volta para o futuro
Colunista espera que bandinhas medíocres de hoje não sejam sequer lembradas amanhã
Emmanoel Capparelli
Há quase 20 anos, o Nirvana lançava seu terceiro álbum de estúdio: “In Utero”. Uma faixa muito interessante desse album é “Serve The Servants”, que tinha a seguinte frase como inicio: “Teenage angst has paid off well. Now I'm bored and old”. Em uma tradução bem objetiva poderíamos dizer o seguinte: “A angústia adolescente já deu o que tinha que dar, agora estou entediado e velho”. O interessante é que na época eu não conseguia entender o que Kurt Cobain queria dizer com isso. Talvez porque, quase 20 anos atrás, a minha angústia adolescente ainda não tinha dado o que tinha que dar.
Há exatos 20 anos, em 1991, os álbuns que mais influenciaram a geração que hoje tem os seus 30, 40 anos eram lançados. Alguns exemplos são o Ten (Pearl Jam), Use Your Illusion I e II (Guns N Roses), o Black Album (Metallica), Acthung Baby (U2), Blood Sugar Sex Magic (Red Hot Chili Peppers) e o Nevermind (Nirvana), sendo este considerado por muitos críticos como o divisor de águas da década de 90.
Naquela época eu achava que nada poderia superar tais obras de arte. Lembro dos “velhos coroas” me dizendo que na época deles é que a música era perfeita, que tudo isso que estava saindo nada mais eram do que “cópias mal feitas” das tais obras primas da década de 70. Eu odiava aquilo, odiava aqueles “hippies do passado”querendo entender mais de musica do que eu. Não aceitava aquelas pessoas que viviam do passado. De músicas obsoletas, de bandas ultrapassadas como The Who, Pink Ployd, Genesis, e tantas outras que não tinham nada melhor a oferecer do que meus ídolos do presente.
O pior dessa historia começa agora.
Recentemente estava lendo uma lista de álbuns clássicos, e nelas sempre os presentes Yes, The Police, The Clash, The Who e muitos outros tradicionais dessas listas. Mas de repente me deparo com um erro gravíssimo. O álbum Ten do Pearl Jam incluído nesta lista. Como bom goiano, disse: “Uai!! Tá errado!!”
Fiquei muito magoado com um erro dessa gravidade. Mas aí me lembrei novamente da frase do Nirvana. E me lembrei também de debater com esses “moleques”de hoje com suas bandinhas medíocres que nada mais são do que puras “cópias mal feitas” das minhas grandes bandas. Como bom goiano que sou, disse novamente: “Uai!! Num é possivel!!”
Mas,infelizmente, é possível. O que faziam comigo vinte anos atrás, eu estava fazendo exatamente igual. E o pior é que entendi que, assim como eles, eu não enxergava que a minha geração musical tinha ficado no passado. É como se parássemos no tempo em uma época única musicalmente. Mas o que me deixa contente é que hoje consigo perceber também a grandiosidade das bandas do passado. Sem elas, os grandes álbuns que neste ano completaram seus 20 anos não existiriam realmente. E espero que, daqui 20 anos, esses “moleques”entendam o que os “hippies”da década de 90 tentaram dizer a eles.Mas espero muito que daqui 20 anos, bandas como Restart, Cine, Fresno, Simple Plan, Justin Bieber e Jonas Brothers realmente não venham a influenciar ninguém e, principalmente, que não exista nenhum fã destas bandas escrevendo uma matéria como essa reverenciando bandas antigas como formadores de álbuns clássicos.
Emmanoel Capparelli é diretor da Rádio 96 FM.
Emmanoel Capparelli
Há quase 20 anos, o Nirvana lançava seu terceiro álbum de estúdio: “In Utero”. Uma faixa muito interessante desse album é “Serve The Servants”, que tinha a seguinte frase como inicio: “Teenage angst has paid off well. Now I'm bored and old”. Em uma tradução bem objetiva poderíamos dizer o seguinte: “A angústia adolescente já deu o que tinha que dar, agora estou entediado e velho”. O interessante é que na época eu não conseguia entender o que Kurt Cobain queria dizer com isso. Talvez porque, quase 20 anos atrás, a minha angústia adolescente ainda não tinha dado o que tinha que dar.
Há exatos 20 anos, em 1991, os álbuns que mais influenciaram a geração que hoje tem os seus 30, 40 anos eram lançados. Alguns exemplos são o Ten (Pearl Jam), Use Your Illusion I e II (Guns N Roses), o Black Album (Metallica), Acthung Baby (U2), Blood Sugar Sex Magic (Red Hot Chili Peppers) e o Nevermind (Nirvana), sendo este considerado por muitos críticos como o divisor de águas da década de 90.
Naquela época eu achava que nada poderia superar tais obras de arte. Lembro dos “velhos coroas” me dizendo que na época deles é que a música era perfeita, que tudo isso que estava saindo nada mais eram do que “cópias mal feitas” das tais obras primas da década de 70. Eu odiava aquilo, odiava aqueles “hippies do passado”querendo entender mais de musica do que eu. Não aceitava aquelas pessoas que viviam do passado. De músicas obsoletas, de bandas ultrapassadas como The Who, Pink Ployd, Genesis, e tantas outras que não tinham nada melhor a oferecer do que meus ídolos do presente.
O pior dessa historia começa agora.
Recentemente estava lendo uma lista de álbuns clássicos, e nelas sempre os presentes Yes, The Police, The Clash, The Who e muitos outros tradicionais dessas listas. Mas de repente me deparo com um erro gravíssimo. O álbum Ten do Pearl Jam incluído nesta lista. Como bom goiano, disse: “Uai!! Tá errado!!”
Fiquei muito magoado com um erro dessa gravidade. Mas aí me lembrei novamente da frase do Nirvana. E me lembrei também de debater com esses “moleques”de hoje com suas bandinhas medíocres que nada mais são do que puras “cópias mal feitas” das minhas grandes bandas. Como bom goiano que sou, disse novamente: “Uai!! Num é possivel!!”
Mas,infelizmente, é possível. O que faziam comigo vinte anos atrás, eu estava fazendo exatamente igual. E o pior é que entendi que, assim como eles, eu não enxergava que a minha geração musical tinha ficado no passado. É como se parássemos no tempo em uma época única musicalmente. Mas o que me deixa contente é que hoje consigo perceber também a grandiosidade das bandas do passado. Sem elas, os grandes álbuns que neste ano completaram seus 20 anos não existiriam realmente. E espero que, daqui 20 anos, esses “moleques”entendam o que os “hippies”da década de 90 tentaram dizer a eles.Mas espero muito que daqui 20 anos, bandas como Restart, Cine, Fresno, Simple Plan, Justin Bieber e Jonas Brothers realmente não venham a influenciar ninguém e, principalmente, que não exista nenhum fã destas bandas escrevendo uma matéria como essa reverenciando bandas antigas como formadores de álbuns clássicos.
Emmanoel Capparelli é diretor da Rádio 96 FM.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Culturama: Os 10 melhores "fucks" do cinema
O American Film Institute reúne todos os anos críticos, diretores e atores para eleger os “100 mais” de alguma coisa. Já foram os maiores vilões, as trilhas sonoras mais marcantes e, por último, as melhores frases do cinema. A KING decidiu fazer uma seleção com a marca registrada de Hollywood: a palavrinha Fuck e suas infinitas derivações no inglês. Utilizada quase como uma vírgula nos filmes norte-americanos, ela dispensa apresentações e até tradução
1 - Can you stop saying fuck all the time?
Tradução: Pode parar de dizer ‘fuck’ o tempo todo?
Filme: Scarface (1984)
Quem diz: Elvira (Michelle Pfeiffer)
2 - You talking to me? Who the fuck do you think you talking to?”
Tradução: Tá falando comigo? Com quem você pensa que está falando, p****?
Filme: Taxi Driver (1976)
Quem diz: Travis Bickle (Robert De Niro)
3 - Don't you fucking look at me!
Tradução: Não olhe pra mim, p****!
Filme: Veludo azul (Blue Velvet, 1986)
Quem diz: Frank Booth (Dennis Hopper)
4 - Wanna fuck?
Tradução: Quer transar?
Filme: Jackie Brown (1997)
Quem diz: Melanie (Bridget Fonda)
5 - Fuck the world!
Tradução: O mundo que se f***!
Filme: Rambo IV (2008)
Quem diz: John Rambo (Sylvester Stallone)
6 - You know what capitalism is? Getting fucked!
Tradução: Sabe o que é capitalismo? É se f****!
Filme: Scarface (1984)
Quem diz: Tony Montana (Al Pacino)
7 - That's a pretty fucking good milkshake. I don't know if it's worth five dollars but it's pretty fucking good.
Tradução: É um milkshake bom pra c******. Eu não sei se vale cinco dólares, mas é bom pra c******.
Filme: Pulp Fiction - Tempo de violência (Pulp Fiction, 1994)
Quem diz: Vincent Vega (John Travolta)
8 - How the fuck am I funny? What the fuck is so funny about me?
Tradução: Como eu sou engraçado? O que existe de tão engraçado em mim?
Filme: Os bons companheiros (Goodfellas, 1990)
Quem diz: Tommy DeVito (Joe Pesci)
9 - Fuck me? Fuck you.
Filme: (Rounders, 1998)
Quem diz: Zizzo (Joe Zaloom)
10 - Fuck you, asshole.
Filme: O Exterminador do Futuro (Terminator, 1984).
Quem diz: The Terminator (Arnold Schwarzenegger).
Culturama: A última ideologia
Em uma obra aberta, advogado defende valor do princípio da dignidade humana para evolução da sociedade
Apesar da impressão causada pelo título extenso, “Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana – Excelência em Instituição Jurídica” não é uma obra voltada apenas para o universo acadêmico ou compreensível somente ao meio jurídico. Em um trabalho didático e bem organizado, o advogado e professor universitário Alexandre Ernesto de Almeida Pereira mostra que o princípio que dá título ao seu livro é mais do que letra morta na Declaração Universal dos Direitos do Homem. “É a maior excelência que pôde o esforço criativo do homem cristalizar no domínio da ciência jurídica em todos os tempos.” Como aponta um dos autores citados no livro lançado pela Editora Kelps, “o valor do homem como um fim em si mesmo é hoje um axioma da civilização moderna e, talvez, a única ideologia remanescente.”
Desde os primeiros brilhos entre os patrícios no período republicano de Roma e do reconhecimento dos primeiros sentimentos de oposição ao Estado totalitário na Carta Magna inglesa de 1215, o princípio trazido à tona no livro até hoje representa um freio aos abusos cometidos contra as liberdades individuais. “Nesse sentido”, escreve o autor, “a República é uma organização política que serve o homem, não é o homem que serve os aparelhos políticos organizadores.” Ele também defende que o valor jurídico fundamental da dignidade da pessoa humana tem contribuído para a evolução do livre desempenho da personalidade, dos direitos da integridade física e moral, da liberdade de ideias e de crenças, da honra, da intimidade pessoal e familiar e da própria imagem.
Lançamentos
Brincadeira dos deuses
Desde que lançou o primeiro livro em 2009, Isaac Pires não parou mais de publicar e agora apresenta a sua terceira e mais consistente obra. Se em “Embriões Rebeldes” e “O homem que viu o fim do mundo” a narrativa descrevia um realismo fantástico nos descampados do Cerrado, em “Brincadeira dos deuses” o autor faz uma viagem pelas cidades e povoados citados no Antigo e no Novo Testamento para contar a história de Barrabás.
Crônicas rio-verdenses
É o 15º livro do escritor Filadelfo Borges de Lima, que passa em revista os principais fatos históricos e políticos da região e de Goiás dos últimos tempos. São 31 textos entre crônicas, contos, artigos e cartas publicados em diversos veículos de comunicação, resgatados graças à memória prodigiosa do autor.
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