segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Jogo do Poder: "Sou ficha limpa"
Ex-presidente da Câmara de Rio Verde, Elecir Casagrande quer provar que foi vítima de armação e promete não poupar ninguém de sua metralhadora giratória.
Investigado pela Polícia Federal em um esquema de fraude contra a Receita Federal, acusado de ter deixado dívidas de R$ 6 milhões na Câmara Municipal e com as contas da campanha para deputado estadual rejeitadas pela Justiça Eleitoral, o vereador Elecir Casagrande é taxativo: “Sou ficha limpa.” Ele afirma que está disposto a provar que foi vítima de armação e chegou a formalizar denúncia contra um cartório de Goiânia por ter reconhecido assinaturas que não seriam suas. As investigações da Polícia Federal ainda estão em fase de inquérito e são mantidas sob sigilo. “Até hoje não fui condenado em nada”, explica-se.
Pré-candidato à reeleição pelo PP, Casagrande demonstra ter esperança de deixar a condição de suplente para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Antes disso, porém, precisa regularizar sua situação junto ao TRE. A prestação de contas da campanha foi rejeitada devido a gastos acima do declarado, informação de um cabo eleitoral com CPF inválido e pagamento de despesas com cheques sem fundo.
Altos e baixos
Casagrande é a prova viva de que a política é feita de altos e baixos. Ele foi reeleito em 2008 com a maior votação de um candidato a vereador na história do município para, em seguida, sagrar-se presidente da Casa. Na campanha para deputado, contou com apoio dos evangélicos e subiu ao palanque tanto de Marconi Perillo (PSDB) quanto de Vanderlan Cardoso (PMDB), fazendo juras de amor a ambos os candidatos. Depois de sucessivos escândalos, acabou sendo isolado politicamente.
A perda de prestígio e o enfraquecimento político, segundo o próprio parlamentar, serviram para revelar a falsidade das amizades em um meio marcado por conchavos e armações. “Hoje eu sei quem é quem. Muitos são amigos apenas do poder.” Nas últimas sessões da Câmara, Casagrande já mostrou que não poupará ninguém de sua metralhadora giratória e prometeu denunciar os candidatos que pisarem na bola no período eleitoral.
Bebidas: Das telas para o seu copo
No cinema, tudo parece mais glamoroso. Inclusive as bebidas. A King selecionou para você alguns dos drinks mais cheios de estilo de Hollywood.
White Russian (O Grande Lebowski)
Um clássico dos irmãos Coen, o filme O Grande Lebowski transformou o drink de licor de café, vodca e creme de leite em uma bebida cult. O desempregado interpretado por Jeff Bridges bebe o White Russian até no café da manhã.
Modo de preparo: Bata 15 ml de creme de leite com 15 ml de leite integral em uma coqueteleira. Em um copo baixo com gelo, misture 40 ml de vodka com 20 ml de licor de café. Mexa. Despeje a mistura da coqueteleira com cuidado sobre a dorso de uma colher. Misture e beba.
Mojito (O Poderoso Chefão 2)
Apesar da família italiana, os drinks mais famosos do filme são cubanos: Mojito e Piña Colada. Os dois têm como base o rum; o primeiro com hortelã, limão e club soda e o segundo, com água de coco e abacaxi.
Ingredientes: 1 ½ parte de rum, folhas de hortelã, 1 colher de sopa de açúcar, água com gás ou Club Soda, suco de meio limão.
Modo de preparo: Macere as folhas de hortelã, o suco de limão e o açúcar. Coloque na coqueteleira com gelo e adicione o rum. Em um copo alto, com gelo e folhas de hortelã para decorar, coloque a bebida e complete com club soda ou água com gás.
Vesper Martini (007 - Cassino Royale)
Em um tenso jogo de pôquer, James Bond (Daniel Craig) pede ao barman um Dry Martini com “três doses de Gordon’s, uma de vodca, meia de Kina Lillet, batido e servido com gelo e uma raspa fina de casca de limão.” O espião ainda diz para uma bondgirl que, depois de experimentar a bebida, ela não vai querer outra coisa.
Ingredientes: 60 ml de gim, 20 ml de vodca, 10 ml de vermute extra seco.
Modo de preparo: Bater vigorosamente todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo em cubo e passar a mistura fazer coagem dupla em uma taça Martini de
240 ml previamente resfriada. Decore com uma tira de casca de limão siciliano.
Whisky Sour (O pecado mora ao lado)
“Senhorita Morris, sou perfeitamente capaz de preparar meu próprio café da manhã. Na verdade, comi um sanduíche de pasta de amendoim com dois whisky sours”, diz a atraente garota vivida por Marilyn Monroe na película de 1955. Para o lanche, basta passar manteiga e creme de amendoim em duas fatias de pão de fôrma. Já para os whisky sours, vale anotar a receita:
Ingredientes: 4 medidas de uísque; 4 medidas de suco de limão; 2 medidas de calda de açúcar; gelo; 2 rodelas de laranja; 2 cerejas em conserva.
Modo de preparo: Coloque gelo na coqueteleira. Acrescente o suco de limão, o uísque e a calda de açúcar. Agite bem. Despeje em dois copos de boca larga. Enfeite-os com rodela de laranja e cereja. Rendimento: 2 drinques.
Culturama: A casa do major
A origem do sobrado que hoje abriga a Academia Rio-verdense de Letras, Artes e Ofícios e a Fundação Municipal de Cultura remonta o período de escravidão no final do século 19. Conta a história que Frederico Gonzaga Jayme, o “major” Frederico, comprou a obra inacabada para fundar a Casa Jayme no térreo e estabelecer residência no andar superior. Nascido aos pés da Serra dos Pireneus no dia 9 de agosto de 1873, ele deixou a cidade de Pirenópolis a cavalo para se instalar em Rio Verde com a esposa Muzarta Siqueira e um filho ainda pequeno.
Herdeiro de um dos sobrenomes mais tradicionais da política goiana, Frederico foi deputado estadual por duas vezes e intendente do município até ser deposto pela Revolução de 30. Além da forte atuação política, ele exerceu também a medicina. Isto é, na falta de médicos “curava” os pacientes com base em livros sobre enfermidades. Utilizava plantas e produtos comercializados em sua própria loja. Considerado o patriarca da família Jayme – e mulherengo inveterado- deixou aproximadamente 100 filhos, dentro e fora do casamento. Era coisa de família: o irmão, o ex-governador da Província Luis Gonzaga de Camargo Fleury, foi assassinado a facadas em 1921 por um marido traído quando era senador da República no Rio de Janeiro. O pai, João Gonzaga, teve inúmeros filhos com suas ex-escravas.
O casarão, onde Frederico e dona Muzarta criaram os filhos (ou parte deles), foi palco de grandes festas dançantes da cidade na primeira metade do século passado. Ali também funcionou a primeira loja maçônica da região, a “Estrella Rioverdense”, fundada em 1936. Depois de muitos anos de abandono, o prédio foi reformado em 2005 pela Prefeitura de Rio Verde sem muita preocupação com a preservação das características originais da estrutura.
Culturama: Os 10 melhores começos de livros
Carlos Willian Leite
@revistabula – E-mail: carloswillian@uol.com.br
@revistabula – E-mail: carloswillian@uol.com.br
Pelo Twitter e Facebook perguntei a 35 convidados, de díspares perfis e tendências, quais eram os melhores inícios de livros que haviam lido. Cada participante poderia indicar até três começos inesquecíveis, de autores brasileiros ou estrangeiros de todas as épocas. A partir da lista dos convidados, elaborei minha lista pessoal. Discutível como todas as listas de melhores, esta também não pretende ser abrangente. E os livros citados aqui, bons ou ruins, trazem em comum o fato de ter me inspirado.
O Apanhador no Campo de
Centeio
(J.D. Salinger)
(J.D. Salinger)
“Se querem mesmo
ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como
passei a porcaria da minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu
nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a
verdade, não estou com vontade de falar sobre isso. Em primeiro lugar, esse
negócio me chateia e, além disso, meus pais teriam um troço se contasse
qualquer coisa íntima sobre eles.
O Ventre
(Carlos Heitor Cony)
(Carlos Heitor Cony)
“Positivamente,
meu irmão foi acima de tudo um torturado. Sua tortura seria interessante se eu
a explorasse com critério — mas jamais me preocupei com problemas do espírito.
Belo para mim é um bife com batatas fritas ou um par de coxas macias. Só creio
naquilo que possa ser atingido pelo meu cuspe. O resto é cristianismo e pobreza
de espírito.”
A Metamorfose
(Franz Kafka)
(Franz Kafka)
“Quando certa
manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, em sua cama metamorfoseado
num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e,
ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por
nervuras arqueadas, no topo de qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda
mal se sustinha.
O Amanuense Belmiro
(Cyro dos Anjos)
(Cyro dos Anjos)
“Ali pelo oitavo
chope, chegamos à conclusão de que todos os problemas eram insolúveis.
Florêncio propôs, então, um nono, argumentando que outro copo talvez trouxesse
a solução geral. Éramos quatro ou cinco, em torno de pequena mesa de ferro, no
bar do Parque. Alegre véspera de Natal! As mulatas iam e vinham, com requebros,
sorrindo dengosamente para os soldados do Regimento de Cavalaria.
O
Jardim do Diabo
(Luis Fernando Verissimo)
(Luis Fernando Verissimo)
Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome
é Estevão, ou coisa parecida. Como todos os homens, sou oitenta por cento água
salgada, mas já desisti de puxar destas profundezas qualquer grande besta
simbólica. Como a própria baleia, vivo de pequenos peixes da superfície, que
pouco significam mas alimentam.
A
Lua Vem da Ásia
(Campos de Carvalho)
(Campos de Carvalho)
Aos 16 anos matei meu professor de lógica.
Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser
absolvido por cinco votos a dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora
nunca tenha estado em
Paris. Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um par
de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um cigarro
entre os dedos.
Dom
Casmurro
(Machado de Assis)
(Machado de Assis)
Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho
Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de
vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da Lua e
dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os
versos pode ser que não fossem inteiramente maus.
Notas do Subsolo
(Fiódor Dostoiévski)
(Fiódor Dostoiévski)
“Sou um homem
doente... Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não
entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não
me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de
tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina.
Anna Kariênina
(Liev Tolstói)
(Liev Tolstói)
“Todas as famílias
felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Tudo era
confusão na casa dos Oblónski. A esposa ficara sabendo que o marido mantinha um
caso com a ex-governanta francesa e lhe comunicara que não podia viver com ele
sob o mesmo teto. Essa situação já durava três dias e era um tormento para os
cônjuges, para todos os familiares e para os criados.
Moby Dick
(Herman Melville)
(Herman Melville)
“Chamem-me
simplesmente Ismael. Aqui há uns
anos não me peçam para ser mais preciso —, tendo-me dado conta de que o meu
porta-moedas estava quase vazio, decidi voltar a navegar, ou seja, aventurar-me
de novo pelas vastas planícies líquidas do Mundo. Achei que nada haveria de
melhor para desopilar, quer dizer, para vencer a tristeza e regularizar a
circulação sanguínea.
Culturama: On the road again
Com nova formação e após uma guinada para o rock clássico, a lendária The Not Yet completa duas décadas de estrada reafirmando sua grande vocação: o palco.
Formada em Goiânia pelo guitarrista André Mols em 1992, a TNY (antiga The Not Yet Famous Blues Band) preparou para 2012 um retorno comemorativo com uma formação bem próxima da original. O ano passado marcou a primeira pausa da longa trajetória da banda. A única baixa foi o baterista Wagner Calil, que retomou a carreira como piloto de aviões, mas foi substituído à altura por Fred Valle, primeiro baterista do grupo. O elenco conta também com o baixista Carlos Marx, que estudou com mestres como Marcelo Maia e Alex Solano no Rio de Janeiro. Após uma temporada de seis meses tocando na Austrália, André Mols promete retomar a grande vocação da TNY: o palco.
No final do ano passado, os bluseiros gravaram dois de seus shows no Bolshoi Pub, e registraram o recorde de público na mais renomada casa de shows de Goiânia. O resultado será lançado este ano em DVD e, para completar, a banda está em fase final de pré-produção de seu oitavo CD de estúdio. Gradativamente, eles retomaram a veia roqueira que, diga-se, é a sua raiz, bem ao estilos das grandes “Jam Bands” dos anos 70. Seus discos mais “blues” são os três primeiros. A partir do álbum “N.O.S.”, houve uma guinada irreversível para o rock clássico.
Autor de todas as músicas da banda, André Mols - que é mestre em Estudos Literários e também atua como Relações Internacionais em projetos no Brasil e no exterior - lembra que a primeira fase da banda é inesquecível. Antes de se firmar como referência do blues-rock nacional e esgotar ingressos nas mais conceituadas casas de espetáculos de Brasíla, São Paulo e Florianópolis, o trio fez muitos shows em Brasília, Caldas Novas, Pirenópolis, Rio Verde e Jataí. A boa notícia para os amantes, maridos, esposas, órfãos e agregados do blues é que a TNY está pronta para pegar novamente a estrada.
KING’S PLAYLIST [POWER TRIOS]: 1. Rush - YYZ | 2. Jimi Hendrix Experience - Castles Made of Sand | 3. Stevie Ray Vaughan & Double Trouble - Little Wing | 4. The Police - Walking on the Moon | 5. Nirvana - Breed | 6. Cream - White Room | 7. ZZ Top - I'm Bad, I'm Nationwide | 8. Them Crooked Vultures - Elephants | 9. Motörhead - Ace of Spades
Ensaio: Nathalia & Camilla
Beleza em dose dupla
Olhando assim, não é difícil entender porque Zezé di Camargo e Luciano são fãs de carteirinha das moças. Elas também já subiram ao palco com Fernando e Sorocaba, Victor e Léo e a dupla Jorge e Mateus.“Sou foda”
A versão de Nathalia e Camilla foi parar na internet e, em poucos dias, virou hit no Youtube. A brincadeira ainda ajudou a conquistar o público do Nordeste.
Camilla não consome álcool e evita refrigerantes. Tudo para manter a beleza da pele.
Fotos Priscila Quiste | Hugo Buarques
Maquiagem Kaká Feld
Entrevista: José Eliton
A opinião do vice-governador de Goiás sobre o constrangimento dos conservadores brasileiros em se assumirem de direita, a popularidade do ex-presidente Lula, a faxina de Dilma Rousseff nos ministérios, Marconi Perillo, Ronaldo Caiado, carreira profissional, família, poder, moqueca de camarão, música e literatura.
O brasileiro é de direita, só que a maioria não sabe. Basta discutir temas como o casamento gay, o aborto ou a liberdade de imprensa para que a população assuma posições bem diferentes do espírito revolucionário da esquerda. A análise é do vice-governador de Goiás, José Eliton Figuerêdo Jr (DEM), que recebeu a King para uma entrevista em seu gabinete no 4º andar do Palácio Pedro Ludovico. Na opinião dele, os governos do PT acalentam políticas mais retrógradas do que os próprios militares no período de ditadura e garante que a maior distribuição de renda já feita no Brasil foi o controle da inflação colocado em prática por FHC. Lula, para ele, é apenas um bom comentarista de futebol. Em sua primeira experiência na vida pública, ele enfrentou grandes desafios. Primeiro foi encarregado de fazer a complexa transição do governo Alcides Rodrigues para a administração de Marconi Perillo e, em seguida, presidiu a Celg no momento de maior tensão na história da estatal. Integrante de uma comissão de juristas que estuda a reforma do Código Eleitoral, já tinha uma carreira consagrada na advocacia antes de entrar na política. Filho de um funcionário de carreira do Banco do Brasil, José Éliton nasceu em Rio Verde no dia 27 de agosto de 1972 e acompanhou as constantes mudanças de endereço da família até fincar raízes na cidade de Posse, onde o pai acabou se tornando prefeito em 1982. Com 1,90 m de altura, foi ainda meia de rede no time de vôlei da turma de Direito da PUC de Goiás e garante que levava jeito para o esporte. Fã de Pink Floyd e Led Zeppelin, pescador e cozinheiro nas horas vagas, não reclama do trabalho, mas lamenta o quanto a vida pública sacrifica o convívio familiar. Sempre que possível, apronta peripécias na agenda para brincar com os dois filhos e preparar uma moqueca de camarão para a esposa.
King - Como o fato do seu pai ter sido prefeito influenciou na decisão de entrar na política?
José Eliton - A gente nunca fica isento desse tipo de influência. Quando ele se tornou prefeito de Posse, eu tinha 10 anos. Quando eu concluí a faculdade de Direito, voltei para a cidade bem no momento em que ele era candidato. Ele precisava de uma assessoria jurídica para a campanha e resolvi ajudar. As campanhas eram artesanais e não existia a estrutura que vemos hoje. E, mesmo se existisse, não teríamos dinheiro para contratar. Então fui estudar direito eleitoral para ajudá-lo. Como Posse é uma cidade polo, acabamos assessorando vários municípios da região. Posteriormente, fui convidado a compor uma parceria com o dr Felicíssimo Sena em alguns processos em Goiânia e tivemos grande sucesso. Pouco a pouco, fui construindo uma participação política, mas não imaginava vir para a vida pública nem me tornar vice-governador. Em 2010, o deputado Ronaldo Caiado formalizou o convite para que eu participasse da eleição. Como eu era filiado ao DEM, entendi que deveria estar pronto para servir o partido.
Ao contrário de muitos outros, o sr entrou na política partidária sem ter passado pela política estudantil. Por quê?
Eu sempre tive um pensamento ideológico conservador e os movimentos estudantes são quase todos aparelhados pela esquerda. Você ouve falar alguma coisa da UNE hoje em dia? Ela está numa posição de subserviência aos partidos de esquerda, especialmente o PT. O jovem é questionador por natureza. Se você tira dele o poder de questionar, você mata esses movimentos. O PT matou o movimento sindical, porque tornou todos apaniguados do poder. Os movimentos estudantis, que faziam o contraponto a qualquer situação política mais desastrosa, também sucumbiu. Como a UNE pode questionar alguma coisa se os encontros são patrocinados pelo governo do PT?
Por que os próprios conservadores se mostram constrangidos em assumir que são “de direita”?
É um equívoco. Se você voltar na história, vai ver que o pensamento liberal, que nasceu na Revolução Inglesa, vem com a característica de combate às estruturas monárquicas, com a bandeira da liberdade, com a valorização do indivíduo e, acima de tudo, de fazer com que o Estado não seja o tutor da vida das pessoas. Ao longo dos anos, a máquina de comunicação do PT vinculou a direita ao período de exceção, mas, na verdade, o militarismo nunca representou os valores da direita, embora tenha se aliado a forças conservadoras. Ao contrário. O governo militar foi altamente estatizante, que é um pensamento adverso à direita. Foi um governo centralizador, o que o identifica muito mais com a esquerda. Um governo que tentou criar conglomerados econômicos, enquanto a vida empresarial brasileira tem uma característica absolutamente fragmentada. Tentaram copiar o modelo mexicano, em que grandes corporações dominam determinados segmentos da economia. Hoje o governo da esquerda repete os mesmos atos dos militares. Olha o BNDES. Ele alavancou o Grupo JBS, na tentativa de criar uma empresa polo para dominar o mercado de proteínas no Brasil. O problema é que a esquerda não tem a coragem de assumir publicamente essas posições.
Mas o sr acredita que brasileiro é conservador ou ele se identifica mais com a esquerda?
A sociedade brasileira é conservadora e defende os valores da direita. Basta fazer uma pesquisa para comprovar que mais de 90% da população é a favor da propriedade privada e da defesa dessa propriedade. Se você for discutir as liberdades individuais, vai constatar que um número esmagador de cidadãos é a favor dessa prerrogativa. A população defende o direito à livre imprensa. O PT quer fazer o controle da imprensa, o que é uma afronta à liberdade de expressão. O brasileiro é extremamente conservador. Uma prova disso é que a maioria é contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao aborto.
Se o brasileiro é conservador, de onde vem a popularidade de Lula?
O único mérito de Lula foi ter mantido a linha econômica criada no governo FHC, que protegeu o país das crises internacionais e permitiu progressos muito fortes. É daí que derivaram todos os avanços, inclusive dos programas sociais. Hoje se você pergunta a um jovem quem acabou com a inflação, ele responde que foi o Lula. Na verdade, a maior distribuição de renda foi o controle da inflação de FHC. Lula transformou a política internacional em política do PT. Ele não criou um programa social. Ele criou um programa de dependência das pessoas. Aperfeiçoou aquilo que sempre criticou como algo da direita, criando um curral eleitoral gigantesco.
Que nota o sr dá para o primeiro ano da presidente Dilma Rousseff?
Não tem como avaliar. Até agora não vimos realização alguma, apenas uma faxina que não termina nunca e a exposição de um sistema de cooptação de partidos através da entrega de ministérios de porta fechada, o que gera um índice de corrupção alarmante. Eu ainda não sei qual é a marca da Dilma.
E para o governo Marconi Perillo?
Começamos o governo com um déficit de mais de 1 bilhão de reais e sem capacidade de investimento para atender as demandas. Passamos o primeiro ano tentando dar solução aos problemas maiores e conseguimos virar a página. Hoje já temos superávit e criamos condições para fazer os avanços estruturais. Reconheço que temos enfrentado problemas na saúde, na educação e na segurança, mas estamos fazendo intervenções muito fortes para garantir um serviço mais digno ao cidadão. Nós não temos preconceito da iniciativa privada e vamos explorar ao máximo as parcerias com as empresas. Analisando os últimos 10 anos, podemos observar que temos condições de enfrentar em pé de igualdade as principais potências do Sul e do Sudeste. Assim que tivermos todos os eixos estruturantes em funcionamento, teremos tudo para ser uma das maiores economias do Brasil. Hoje a nossa economia está centrada principalmente no agronegócio, mas vamos avançar para um processo de industrialização muito acentuado.
Como especialista na área, o que acha que precisa ser mudado no sistema eleitoral brasileiro?
Primeiramente o financiamento público de campanha. Hoje vence a eleição proporcional o candidato mais rico. Sem dinheiro privado nas campanhas, vai acabar a farra da compra de votos e facilitar a ação do Ministério Público. Também defendo a lista fechada, embora muitos possam alegar que ela favoreceria os caciques. Talvez isso aconteça em um primeiro momento, mas ela fortalecerá as discussões internas.
Não existem partidos demais?
Sim, claro. Muitos são criados da noite para o dia sem o menor conteúdo. Recentemente, um partido (o PSD) foi criado porque um prefeito (de São Paulo, Gilberto Kassab) resolveu sair Brasil afora gastando dinheiro e, quando perguntado sobre a ideologia da nova sigla, não soube responder. É um partido de conveniência, que nasceu para estar com o poder onde o poder estiver. É um absurdo. Partido tem de ter uma cara. Também acho que é preciso acabar com as coligações proporcionais.
A gente gostaria que o cidadão José Eliton definisse algumas pessoas e questões em uma frase. Aborto?
Sou contra.
Casamento gay?
Acho que você tem de respeitar as posições individuais de cada um. Agora, a formalização da relação se dá por meio de contrato. Hoje já é assim na relação civil. Independentemente do sexo, duas pessoas podem formalizar a relação através de um contrato. Não precisamos nem podemos afrontar as tradições. Se por um lado a homofobia é um ato absolutamente deplorável, por outro lado não se pode tolher o direito dos que pensam diferente de manifestar nos púlpitos ou onde quer que seja suas posições. É preciso achar um equilíbrio de modo a garantir o respeito à individualidade e, ao mesmo tempo, assegurar o direito de manifestação daqueles que pensam de outra forma.
Marconi Perillo.
Um grande gestor. Um homem competente. Uma das figuras públicas mais expressivas de Goiás. Talvez o maior líder da nossa história, mesmo porque é o único homem a ser governador por três vezes.
Alcides Rodrigues.
Perdeu o tempo.
Lula.
Bom comentarista de futebol.
Dilma Rousseff.
Uma mulher que tem ideologia.
Ronaldo Caiado.
Um homem de posição.
Poder.
Se bem utilizado é importante pra construção de uma sociedade melhor.
Celg.
Já era uma grande empresa formada por grandes técnicos. Agora, saneada do ponto de vista econômico, tem tudo pra se tornar uma das maiores do País.
Corrupção.
Grande demais.
PSD.
Nada.
Uma música.
Wish you were here, do Pink Floyd, mas também gosto muito de Roberto Carlos e Caetano Veloso.
Um livro.
Germinal, de Émile Zola. Maravilhoso.
Um hobby.
Gosto de cozinhar. Faço bem uma moqueca de peixe, mas camarão eu faço melhor ainda.
Em um ano, o sr assumiu interinamente o governo de Goiás três vezes. O sr sonha em um dia ser eleito governador?
Eu defendo com todas as forças que o DEM precisa ter um candidato a governador. Agora, se será em 2014, 2018, 2022, as condições políticas é que vão dizer. Temos figuras expressivas e eu me incluo dentro desse quadro. Se sou filiado a um partido, tenho de estar pronto. Se eu encontrar esse espaço aberto, não tenha dúvidas de que eu enfrento uma eleição. Nesse momento, acho prematuro. Futuramente não teria problema algum.
Qual é o maior ônus da vida pública?
É sacrificar a família. Esse é um fardopesado. É impossível participar ativamente da vida pública sem sacrifícios. Sempre que posso, almoço em casa, brinco com meu filho à noite, mas não tenho mais a mesma convivência de antes. Tento compensar de outras formas e me desdobrar para estar em casa e dar atenção à minha esposa. Quando estou em casa em um domingo, gosto de preparar uma moqueca de camarão e tomar um bom vinho. Procuro preservar a minha família e evito exposições desnecessárias.
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