terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ensaio: Natália Fidélis

No embalo de Natália
Com 24 anos, Natália já foi eleita Garota Rodeio duas vezes em Rio Verde. O que um homem precisa ter para chamar a atenção da loira? “Ser verdadeiro.” O que mais? “Demonstrar seu real interesse.”
Fotos: Giulianna Conte
Maquiagem: Márcia Macêdo
Cabelo: Hermô Cabeleireira
Roupas: Charlotte Boutique
Lingerie: La Passion Moda Íntima
Locação: Boate Sioux

Entrevista: Miguel Jorge

A opinião do escritor Miguel Jorge sobre a luta para levar ao palco a primeira ópera de Goiás, livros de autoajuda, política, censura e o que vem a ser a tal goianidade.
Com “Veias e Vinhos” se descobre que a literatura brasileira não é apenas Jorge Amado e Paulo Coelho, e que Miguel Jorge é um autor capaz de descrever magistralmente a sua terra. É com essas palavras que a Playboy italiana celebrou o livro do escritor Miguel Jorge, lançado este ano no país europeu. Três décadas após o seu lançamento, a obra que narra o assassinato de uma família inteira em Goiânia e a história de uma vítima de erro judiciário, continua fascinando leitores com sua técnica narrativa inovadora. 
Autor de outros 30 livros, o romancista, dramaturgo, roteirista de cinema, poeta e contista foge das comparações fáceis e dos regionalismos. Segundo Miguel Jorge, suas obras são dotadas de universalidade, apesar de tratarem sempre de tragédias que tiveram palco em Goiás. Nascido em Campo Grande (MS) no dia 16 de maio de 1933, mas com carreira sedimentada em Goiânia, recebeu alguns dos mais importantes prêmios nacionais e já retratou em suas obras o drama do Césio 137 e a ditadura militar no Estado. 
Em uma conversa com os editores Fernando Machado e Thiago Pereira, ele falou para a King sobre o projeto da primeira ópera goiana, inspirada em um de seus contos.  Ele condena o descaso crônico das autoridades com a cultura e a educação e combate os rótulos geralmente atribuídos a Goiás. Formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Direito e Letras Vernáculos pela Universidade Católica de Goiás (hoje PUC – GO) e professor de carreira, ele também falou sobre os reflexos da falta de leitura nos cursos superiores. 

King - Segundo a Playboy da Itália, Veias e Vinhos mostrou que a literatura brasileira não está restrita a autores como Jorge Amado. Um ponto em comum entre o seu trabalho e o do escritor baiano é o fato de ambos contarem histórias de suas terras. Que tipo de comparação pode ser feita nesse sentido?
Miguel Jorge - O trabalho do Jorge Amado é regional. Ele não fala do Brasil. Fala da Bahia. “Gabriela” é a prova disso. O meu caso é diferente. Apesar de falar das tragédias que aconteceram em Goiânia em meus livros, como o massacre de uma família inteira, o Césio 137 ou a ditadura militar, meu trabalho é universal. Não gosto de regionalizações. Acredito que é uma forma de limitar a literatura. A verdadeira arte deve ter essa capacidade de ser absorvida no Brasil, na Rússia ou onde quer que seja. Eu fui muito amigo do Jorge Amado, fiz várias entrevistas com ele e reconheço o valor da sua obra, mas acho que esse fator restringe muito. 

Ao falar dos autores brasileiros, a imprensa internacional sempre lembra de Paulo Coelho. Hoje ele é o único escritor vivo no mundo que foi traduzido em um número de línguas maior do que Shakespeare. Como vê isso?
Paulo Coelho é uma autoajuda espiritual. A humanidade está carente de luz e não encontra um caminho. Então ele soube tirar proveito disso e hoje é um sucesso de vendas.

Mas ele é um guia espiritual ou um charlatão?
Nunca me interessei pela obra dele. Hoje ele está no auge, mas isso é passageiro. Somente a boa literatura permanece. Você pode contar nos dedos os que ficam. Quem permanece hoje no Brasil? Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto. É preciso um distanciamento histórico muito grande para fazer um julgamento. A história às vezes resgata um escritor, outras vezes sepulta. Fulano é muito festejado num momento para depois ser esquecido. Machado de Assis está vivo até hoje porque realmente é um dos melhores escritores do mundo. 

Por que a literatura estrangeira vende mais no Brasil do que a nacional?
Porque o brasileiro adora ser colonizado. Você entra em todas as livrarias e só encontra lixo norte-americano. Todo mundo só quer autoajuda, essas besteiras. Ninguém quer uma literatura “pesada”. Para mim, literatura é uma coisa muito séria. Eu não suporto literatura leve ou que não me sacuda de alguma forma. O problema é que as pessoas estão perdendo a capacidade de assombro. Quando você não se assusta mais com nada é porque você está morto em vida. Qualquer obra de arte, seja um livro, um filme ou uma música precisa mexer com o ser humano, causar uma reflexão. Literatura é a palavra trabalhada. Não é apenas um relato. Um boletim de ocorrência da polícia é um relato. É preciso criar palavras novas, como fez Guimarães Rosa. Quem vai superá-lo? Não será Paulo Coelho. Ser escritor não é tarefa fácil. Ele cria de dentro para fora e precisa ter uma técnica nova para oferecer. Os personagens não podem ser caricatos ou meros esboços. Eles precisam ter vida, alma, sangue.
O escritor goiano Bariani Ortêncio conta que seus livros começaram a vender mais depois que passou a utilizar pseudônimos em inglês e títulos como “A Deal With Death”.
Certo, mas pergunta se os leitores americanos estão interessados em autor brasileiro. O brasileiro não gosta do Brasil, mas adora as bobagens que chegam de fora. É um povo que não defende seu país. Se tiver uma guerra aqui, todo mundo entrega os pontos. 

Bernardo Élis é o maior escritor goiano?
Não tenho a menor dúvida quanto a isso. Pena que nasceu em Goiás, caso contrário seria muito mais reconhecido.

Na sua opinião, existe de fato uma “goianidade”, ou seja, uma identidade própria do nosso Estado?
Essa pergunta é simplesmente fantástica. Eu não sou esse goiano que esquematizaram e colocaram em uma redoma em livros e poemas. Acho que ser goiano é muito mais do que isso. Ser goiano é lutar pela sua terra, pela sua identidade. Não é comer pequi. Não existe nada pior para Goiás do que falar que é um povo que come pequi e ouve música sertaneja. E as pessoas saem do Estado falando isso. Eu estava em um clube em Caldas Novas e uma menina gaúcha reclamou para o DJ que só tocava música sertaneja. Ele respondeu que “no Goiás é só sertanejo.” Isso não tem cabimento. Goiás não pode ficar restrito a essas mentalidades burras. 

Você é autor da “Décima Quarta Estação”, a primeira ópera goiana. Esse projeto tem recebido apoio?
Essa ópera foi inspirada em um conto homônimo, que está inserido no meu livro “Avarmas.” A música é do maestro Estércio Marques e o projeto é da PUC de Goiás, a pedido da professora Custódia Annunciatta. O governador já deu seu aval, mas resta a continuidade burocrática que, no entanto, está encalacrada na Secretaria de Cultura do Estado. É um trabalho que está pronto há sete anos! Agora, você acha que governo ajuda? Nunca ajudou a cultura nem a educação. O interesse dos governos é a gente chã. Governo gosta é de voto em precipício, que vai caindo um atrás do outro. Está tudo preparado: músicos, cantores, maestro. Mas cadê os R$ 350 mil para executar o projeto? Mas você pode cobrar de mim porque eu não desisti e vou levar essa obra para o palco.

No período militar, você chegou a ter obras censuradas. Como foi isso?
O palco é a democracia. Então os artistas eram vigiados, muitos foram ameaçados, torturados física ou mentalmente. Comigo não foi diferente. A minha primeira peça, que foi premiada no concurso de dramaturgia do Teatro de Opinião do Rio de Janeiro, foi censurada em Goiás. Só que eles censuraram a parte da peça que julgaram erótica, mas a parte política eles não entenderam.
Então era uma censura burra?
Totalmente (risos). Quem você acha que avaliava o que poderia ou não poderia ser exibido? Intelectuais, artistas? Não. Eram soldados, tenentes, gente que não sabia nada, mas que tinha o poder do mando. Grande parte da minha obra trata do poder do mando. É a coisa mais terrível que pode existir. Gravamos um filme chamado “Urubus” em um lixão em Bela Vista de Goiás, em que retrato como isso ele está presente em todos os lugares. Até no lixão existe um dono do pedaço. Eu vejo com muita tristeza esses pequenos ditadores.

Como professor universitário, como vê a situação do ensino superior atualmente? As faculdades estão formando profissionais cada vez menos preparados?
Falta leitura. Principalmente na infância. E aí a culpa é dos pais. Os colégios também ensinam muita besteira. Não valorizam as pessoas que criam, que questionam e que têm alma. Alunos do curso de Letras chegam à faculdade sem conseguir elaborar frases inteiras. Já vi professor de jornalismo defender isso, dizendo que é assim mesmo e que a internet está fazendo as pessoas escreverem mais. Bobagem. É o pior castigo que o aluno pode receber porque, se não estiver bem aparelhado, não vai a lugar algum. 

O artista é necessariamente um louco?
A criação é uma alucinação. Você não cria se é um cara quadrado e todo certinho. O artista vai ao limbo e ao inferno. Não acredito no discurso de que a droga é um meio de criação porque ela é uma fuga da realidade. Não condeno quem usa drogas, mas acho que é uma coisa para pessoas revoltadas consigo mesmas ou com as condições sociais. Se a pessoa não tem uma riqueza interior, não é a droga que vai proporcionar um poder criador. Eu discuto com meus personagens quando estou caminhando. Falo sozinho o tempo todo. Eu já declamei aos gritos um poema inteiro na praia de Ipanema para não esquecer. Eu não tinha lápis nem papel e foi a maneira que encontrei. Eu acordo à noite e escrevo as coisas que eu vi no sonho.

História contada em engrenagens

Torneiro mecânico quer transformar infinidade de veículos, máquinas e peças centenárias colecionadas há 30 anos no primeiro museu da agricultura em Rio Verde.
Há quase 30 anos, o sonho de Zé Barbudo é criar um dos maiores museus da agricultura do mundo em Rio Verde. O problema é que nesse tempo ele acumulou tanta coisa que fica difícil classificar a coleção. Além de caminhões, tratores, camionetes e máquinas agrícolas de diversas épocas e partes do planeta, ele ocupa um lote inteiro e parte da sua torneadora mecânica com um acervo que ajuda a entender o desenvolvimento da região.
Em meio ao amontoado de peças de veículos, pedaços de madeira e muita poeira, ele exibe pérolas com um Ford 29, que aguarda na fila para ser restaurado, e um caminhão 1933 também da Ford. “Foi o primeiro motor 8 cilindros. O famoso V8”, gaba-se. O motor foi todo refeito e o desafio agora é reformar todo o veículo. Ao lado do caminhão fica uma camionete Chevrolet 1951. “Um colecionador me ofereceu uma Chevrolet S 10 novinha em troca dela, mas eu não aceito”, diz, mostrando no mesmo lugar carros de boi com placas da década de 1930, uma máquina que era usada para bater grãos de arroz, um caldeirão com pelo menos 150 anos onde era preparada a comida para comitivas de escravos que vinham da Bahia, uma ambulância militar ano 1940, patrolas e plantadeiras de todos os modelos, bicicletas importadas com 70 anos de fabricação, um fusca, um jeep Candango, lambretas e até carrinho de picolé antigo.
Apesar da diversidade de objetos, o forte da coleção é a agricultura. Desde 1981, quando começou a comprar máquinas e peças agrícolas, já restaurou cerca de 20 tratores. Alguns deles ficam expostos no Centro Tecnológico da Comigo. Lá estão máquinas trazidas de países como EUA, Alemanha e Dinamarca em perfeito estado de conservação. Destaque para um Lanz  Bulldog, um modelo fabricado em 1940 na extinta Iugoslávia. “A primeira com paralamas na dianteira”, ensina.
Para ampliar a coleção, Zé Barbudo vive na estrada. Já adquiriu máquinas em diversos estados brasileiros e recentemente percorreu mais de 2 mil quilômetros para comprar um trator na divisa do Brasil com o Uruguai. Pagou satisfeito R$ 7.500,00 por um Case 1930 com rodas de ferro. Completamente restaurado, o quase centenário trator agora parece ser novinho em folha.
Hoje com 66 anos, José Antônio de Paula, o Zé Barbudo, acredita que a organização da sua coleção em um museu da agricultura teria enorme potencial para a cultura e o turismo de Rio Verde. Ele busca apoio para concretizar o sonho, mas não abre mão de que o local seja em uma área nobre. Ele fala que o município foi o primeiro a conhecer a mecanização da agricultura em Goiás. “Foi aqui que tudo começou.”

Confraria: Bebidas

A origem da cerveja Duff
Membro original do Guns N’ Roses, o baixista Duff McKagan conta em sua autobiografia (It’s so easy – and other lies) que a famosa cerveja apreciada por Homer Simpson foi criada em sua homenagem. Ele era apresentado pelo vocalista Axl Rose como “Duff, o rei da cerveja.” Um dia, um produtor de TV o telefonou pedindo para usar seu nome em uma marca de cervejas no desenho animado. O que ele não sabia era que Os Simpsons se tornaria um dos mais populares programas de toda a história. No seu livro, o roqueiro explica que, antes de ser internado com pancreatite aguda aos 30 anos, tinha o hábito de tomar cerca de 4 litros de vodca por dia e que abusava da cocaína para aumentar a sua capacidade de beber.
Suco de laranja ‘batizado’
Outra bebida com origem atribuída a um astro do Rock é a Tequila Sunrise, que é creditada a ninguém menos do que Mick Jagger. Reza a lenda que o vocalista do Rolling Stones teria sido proibido de beber por um médico que acompanhava a banda em uma turnê na década de 70. A recomendação era substituir cerca de meia garrafa da bebida mexicana por dia pelo suco de laranja. A partir de então, o roqueiro orientou o bartender a misturar tequila ao suco, ludibriando o doutor. Para um nascer do sol perfeito, misture uma dose da melhor tequila, três de suco de laranja e xarope de groselha a gosto. 

Um vinho polêmico
Em um teste de degustação às cegas feito em uma competição internacional de vinhos e destilados na Inglaterra, o espanhol Toro Loco Tempranillo 2011 ganhou fama repentina ao desbancar concorrentes até 10 vezes mais caros. Com a medalha de prata no International Wine & Spirits Competition, a garrafa de 750 ml, que usa tampa de rosca no lugar de rolha, começou a ser vendida no Brasil por 25 reais em uma das maiores lojas virtuais de vinhos da América Latina (wine.com.br).  Indicado para refeições descontraídas e leves, o Toro Loco é muito fácil de beber e mantém a harmonia com grelhados, sanduíches gourmet e lasanha.

King Fórum

O Feirão da Internet
Com quase dois mil membros em menos de seis meses, um grupo criado no Facebook começa a consolidar o conceito “um para um” no mercado da internet em Rio Verde. Diferentemente dos sites de compra coletiva, a Feira do Rolo aposta no “f-commerce”, um sistema que permite que os usuários da rede social comprem e vendam entre si os mais variados bens e serviços.
Caracterizado pela negociação direta de consumidor final com consumidor final de produtos que vão desde eletrônicos usados e passes de ônibus até casas e carros, o grupo exige que o anunciante inclua foto, descrição e valor nas postagens. A ausência de intermediários e a concorrência dão margem para muita pechincha na hora de fechar negócio.
De olho no crescimento do modelo em todo o mundo, um dos idealizadores da proposta na cidade, Alfredo Carvalho, diz que é uma aposta no futuro. “Muitas pessoas estão usando o Facebook não só para se conectar com amigos, mas também para o consumo de mercadorias novas e usadas.”

Amerv tem novo presidente
O oftalmologista Jarbas Macedo (foto) foi eleito presidente da Associação Médica de Rio Verde para o exercício da gestão 2013. Apesar da brevidade do mandato, ele acredita ser possível chegar ao final do ano com um sensível fortalecimento dos quadros internos.  Para isso, já começou a incentivar a participação de colegas antes afastados das atividades da classe e convida também novos profissionais que chegam mensalmente ao município. Atualmente, a Amerv conta com 150 associados. Prestes a concluir o doutorado em transplante de córnea pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), Jarbas assume o posto deixado pelo cardiologista Paulo Tartuce, agora reforçando o Conselho Regional de Medicina (CRM).

De olho nas contas
O ex-vereador José Henrique de Freitas (foto) ficará sem mandato em 2013, mas não quer deixar de ser vigilante. O peemedebista já avisou que poderá criar um blog para divulgar a quantas andam as contas da Prefeitura de Rio Verde. Segundo ele, a internet é perfeita para o surgimento de uma “onda da transparência.”
Lançamentos em fevereiro
O escritor Isaac Pires lança em fevereiro dois novos livros em Rio Verde. Em ”Memórias de um pobre bandido” e “Neurose e outros contos”, o autor utiliza mais uma vez a ficção para destilar uma forte crítica à sociedade burguesa e descrever um sistema sempre opressor do indivíduo. O rio-verdense também está empenhado em adaptar para as telas as suas obras “O homem que viu o fim do mundo” e “Embriões rebeldes.”

7 Perguntas para Mário Yamasaki

Presença vip do II Rio Fight Championship realizado em Rio Verde, Mário Yamasaki subiu ao octógono instalado no ginásio Jerônimo Martins fazendo o tradicional coraçãozinho com as mãos. Mas levar um gesto do Restart para o ringue é a menor das polêmicas que envolvem o árbitro. Depois de uma decisão controversa no UFC do Rio de Janeiro, em que desclassificou o brasileiro Erick Silva no primeiro round por ter acertado golpes na nuca do adversário, ele passou a ser alvo de críticas do chefão do UFC, Dana White, do apresentador do Ultimate, Joe Rogan, do seu empresário, Walid Ismail e também do público. Até então considerado o bom moço de um dos esportes que mais crescem no planeta, Mário se tornou o árbitro mais atacado do UFC. Em uma conversa com a King, disse que o esporte precisa de mais profissionalismo para não se tornar um incentivo à violência.

1 - Que história é essa de fazer um coraçãozinho com as mãos antes das lutas?
Cara, isso deu uma polêmica entre os homens, mas posso garantir que as mulheres adoraram. Eu não tinha nenhum sinal. Foi uma ideia da minha tia e acabou virando uma marca minha.

2 - O MMA pode se equiparar ao futebol em público um dia?
Acho que superar o futebol é impossível para qualquer esporte. O MMA está evoluindo muito e acredito que vai continuar brigando com o vôlei e outras modalidades para se tornar o segundo esporte brasileiro.

3 - O crescimento do MMA estimula a violência?
Depende. Luta vem lá da Grécia Antiga. É um entretenimento. Cresci numa família em que meu pai, meu tio e primos eram lutadores e nunca teve violência na minha casa. Agora cabe aos pais encontrar professores de artes marciais para os jovens que querem praticar o esporte. Se você contrata um maloqueiro para ensinar qualquer coisa para o seu filho, é claro que ele também vai ser um maloqueiro. 

4 - A que você atribui o destaque de atletas brasileiros no UFC?
Acho que é uma mistura de dedicação, disposição e técnica que faz com que os lutadores brasileiros estejam sempre um passo à frente dos demais. Nossos atletas não têm medo de partir para cima dos adversários.

5 - Você é a favor do recurso do replay para os árbitros?
Claro, sempre fui. O árbitro não é uma máquina. Ele erra. Muitas vezes ele fica em um ângulo em que simplesmente não dá para ver um lance. A tecnologia está aí para ajudar e não tem porque não utilizar uma coisa que só traz benefícios. Acho esse recurso importantíssimo.

6 - Como recebeu as críticas pesadas que foram feitas contra você por figurões do UFC, como o próprio Dana White? 
Nunca perdi a tranquilidade. Falaram muita coisa na hora e depois viram que eu estava correto. Então não tem mais o que discutir. O Erick Silva e o Valid Ismail abriram um processo que eles mesmos não quiseram levar adiante. 

7 - Acha que Anderson Silva está se tornando um Michael Jordan do MMA?
É uma boa comparação. E é um esporte em que é muito difícil manter essa superioridade por tanto tempo em relação aos outros atletas. Acho que Anderson Silva e Randy Couture são os maiores nomes. Ninguém consegue bater esses caras. 

Culturama: Rio Verde ontem e hoje

As transformações ocorridas em uma das principais ruas da cidade em 60 anos.


Rua Rui Barbosa
Década de 1950: Época em que surgiu o extinto Cine Bagdá

2012: Sinal dos tempos: faltam vagas para tantos carros

Culturama: Lixo, puto e debochado

É com a insolência do título acima que o primeiro “jornal” de Rio Verde se autodefinia logo na primeira página. Com “tiragem máxima” de um exemplar e publicação “caduca”, foi publicado em 1928 por João Sem Aço. Pobre e leproso, João Coelho Ferreira criticava os “almofadinhas pelados” e satirizava a aldeia das abóboras em versos e crônicas que vendia na rua em troca de ajuda. Também assinava seus textos como João Esparramado Limpo, João Destemperado e João Abobra de Poico. 
O Vagalume teve pelo menos 39 edições e trazia sempre o aviso: “O João Sem Aço paga e gratifica bem a quem achar a vergonha dele. Suppõe-se de elle a haver perdido, nas immediações do destrito de onde o Sol não Bate. A vergonha é cor castanha tendo visivelmente a marca zero atraz. A Redacção.” A cada novo exemplar, enfatizava que o jornal com nome de inseto não pouparia ninguém. “Brancos, pretos, tortos ou aleijados. Todos entrarão na mandioca de um modo prático e econômico.”
O jornal era usado por João para mandar recados, fazer piada e até para exigir postura mais correta das autoridades locais na entrada do cinema. “Dois moços batutas e empregados do alto comercio andarem a brigar todos os dias com os porteiros, para entrarem de Beira, é muito triste!...!”. Também utilizava-se com classe do jornal para advertir funcionários mal educados da mesma empresa: “Olha, creôlinho de uma figa, respeita mais as familias, ao contrario o Vagalume te levará para o corredor!...”

O Interá da Pobreza
Os rico fais as prumavera
Com festejo e com fuguete;
Os pobre fais uma misera
Qui acaba em purrete.

Os rico tem homenage
E uma baita de mesada.
Os pobre arranja uma lavage
Cum pipoca arrebentada.

Na festa de gente rico
Em tudo tem harmunia;
Com os pobre é só fuchico
Qui termina em anarquia.
(...)
Os rico dança immorá
E cuas moça pagodeia;
Os pobre se fore arriscá
Posam tudo na cadeia (...)

Lágrimas de um condemnado
Mantendo a ortografia original e até os erros de português, a Academia Rio-Verdense de Letras, Artes e Ofícios acaba de lançar “Lagrimas de um condemnado.” O livro, que reúne diversos textos escritos por João Sem Aço nas décadas de 1920 e 30 foi o primeiro a ser editado em Rio Verde. É um apanhado de cartas e notícias que retratam o modo de vida da época e os sofrimentos causados por uma doença que era tida como uma maldição. Ele morreu aos 35 anos de idade em 1937.

Culturama: A majestade, o Sabará

O senhor discreto que hoje ganha a vida lavando tênis nos fundos do Salão Rex durante o dia e engraxando sapatos no centro da cidade à noite foi um dos maiores ídolos da história do Esporte Clube Rio Verde. Nivaldo Rafael Mateus, o Sabará, foi artilheiro do Verdão na conquista do Campeonato Goiano da série B em 1970. O ex-ponta de lança não é de muita conversa, mas não esconde a satisfação com que se lembra dos bons tempos nos gramados. “Ninguém me pegava na corrida”, conta, rememorando que seu forte era mesmo a velocidade. Hoje com 68 anos, o velho herói é mais do que digno de uma homenagem à sua altura no cinquentenário do clube em 2013. 

Culturama: De Mick para John

O vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, relembrou em uma carta os bons momentos e como conheceu o beatle John Lennon, morto em dezembro de 1980.
Meu primeiro encontro com John Lennon me deu um forte senso de humildade, o que, de certo modo, foi divertido. Eu não sabia o que dizer a ele. Os Beatles eram muito importantes na época - foi em 1963, antes de gravarmos - e nós realmente não éramos nada. Estávamos a um passo do sucesso quando eles vieram nos ver tocar. Quer dizer, eles eram tão grandes! Não eram só músicos, eram ídolos da juventude e maiores do que a vida. E usavam roupas de couro, o que ainda não podíamos comprar.
Uma noite, quando estávamos tocando em uma casa de Richmond - naquela fase só tocávamos rhythm & blues e algumas coisas músicas do Chuck Berry -, eles vieram e ficaram na lateral da plateia (usando capas de chuva de couro!) e eu nem quis olhar para eles. Eu estava com vergonha. Mas depois o John foi superlegal. Eu disse: "Você sabe tocar gaita, não é?" - ele tinha tocado gaita em "Love Me Do". Ele então disse: "Mas na verdade eu não sei tocar como vocês". Eu sopro e aspiro, só. Nós não sabemos tocar blues".
Era a primeira vez que eu os via. Eles vieram várias vezes nos ouvir tocar no Crawdaddy no West End, e John veio mais vezes que os outros. Eles costumavam circular por discotecas como a Ad-Lib - isso foi mais ou menos um ano depois (John gostava de casas noturnas) - e lembro que uma vez, quando todos nós estávamos marcando ponto em uma das boates, George ficou discursando para mim sobre quantos discos os Beatles tinham vendido a mais que nós. O que não estava em discussão! Ele estava superansioso para chamar atenção. John, depois de ouvir tudo, disse: "Bom... não se preocupe com George. Ele ainda não superou o fato de que consegue vender discos". Ele foi muito legal naquela hora. Nem sempre ele era a pessoa cáustica que podia ser.
Eu gostava muito dele. Não éramos amigos íntimos, mas sempre fomos simpáticos um ao outro. Mas, depois que os Beatles e os Stones pararam de tocar em casas noturnas, já não nos víamos tanto. De certo modo, naquela época estávamos competindo, sim. Brian Jones, mais do que qualquer um de nós, sentiu que estávamos competindo - cada um estava em uma competição terrível - e, se eles estivessem na América, explorávamos o fato de eles não estarem tocando na Inglaterra, coisas assim. Mas éramos amigáveis com eles, devo dizer.
Depois disso, eu já não via tanto o John, até que ele se separou de Yoko, por volta de 1974. Voltamos àquele convívio amigável, na verdade mais amigável do que nunca. Nós nos vimos um pouco em L.A., mas na maioria das vezes em Nova York e também em Montauk, Long Island, onde veio ficar comigo. Foi um tempo muito divertido. Armávamos uns bons porres, saíamos de veleiro, e ficávamos à toa com as guitarras, tocando. Isso foi quando John estava se preparando para gravar seu álbum de rock and roll, e ele estava claramente tentando pegar umas dicas minhas para decidir o que gravar. Passeamos por todos os rocks antigos, e ele separava os que gostava.
Quando ele voltou para a Yoko, entrou em hibernação. Ele morava perto de mim em Nova York, mas eu provavelmente fui considerado uma das "más influências", então nunca mais me deixaram vê-lo depois disso. Em uma ou duas ocasiões, quando eu fui visitar alguém no Dakota, deixei um recado dizendo: "Eu moro pertinho. Sei que você não quer ver ninguém, mas, se quiser, me liga". Ele nunca ligou.
No meu passaporte, há uma nota afirmando que a inelegibilidade do meu visto foi retirada "devido ao precedente Lennon". Ele enfrentou um processo judicial relativo a seus problemas de visto, por causa de uma condenação por posse de Inglaterra - na verdade, nós fomos presos mais ou menos ao mesmo tempo - e ele venceu o processo após cinco anos e US$ 250 mil de despesas legais. Por isso, ele me vem à memória toda vez que entro nos Estados Unidos.