terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Opinião: Onde está o cinema para homens?

Cinema mundial vem passando por processo de infantilização
Tizzo Neto 
Adoro cinema. Poucas coisas conseguem prender tanto a minha atenção quanto um bom filme. Um roteiro bem amarrado, atores convincentes e o mínimo de veracidade na história já garantem a minha atenção. Nem sou daqueles fissurados por efeitos especiais. Às vezes, um murro na cara bem dado é muito mais impactante do que milhares de sabres de luz revoando por munhecas retorcidas tela afora.
Ir ao cinema, entretanto, já não faz mais parte dos meus programas preferidos. De uns tempos para cá, tenho preferido assistir a filmes antigos que são veiculados na Tv a cabo no conforto do meu lar, na minha velha televisão de tubo. O cinema não me parece mais um lugar agradável. E não falo somente do cinema daqui de Rio Verde, mas de todos os que já tive a oportunidade de conhecer. De uns tempos para cá, o cinema mundial vem passando por um processo acelerado de infantilização. Esse processo, que parece irreversível, tirou dos filmes qualquer tentativa de “maturidade” e levou às salas um bando de crianças e adolescentes acostumados, no máximo, com o universo de Harry Potter.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber isso. Basta ver quantos filmes de super-heróis estão ou estiveram em cartaz nos últimos tempos. De cabeça, lembro rapidamente de Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma, Batman, Superman, Lanterna Verde, Thor, X-Men, Wolverine e outros. Não há uma semana em que algum filme em que um sujeito usando uma roupa ridícula e uma cueca apertada não esteja em cartaz. São produções de enredo pobre, mas recheadas de efeitos especiais preparados para se tornarem o centro das atenções.
A impressão que me dá é que o público do cinema não cresce. Eu, por exemplo, me sentiria ridículo se alguém me visse na fila do cinema para assistir Lanterna Verde. Mas o que não falta é barbado esperando para conseguir um bom lugar e se deliciar com as aventuras de um mané que invariavelmente sofre muito na vida, até que passa por algum revés, ganha os seus poderes e passa a ser o grande defensor da humanidade. A história nunca muda.
No meu ponto de vista, não há mais “cinema para adultos”. Todos os filmes visam a atingir um público que teima em continuar na infância. Vendo essa situação, lembro-me dos meus dias de moleque. Naquela época, quase não existiam produções voltadas para o público infantil. A gente assistia o que os adultos assistiam. Lembrei disso porque essa semana tive o prazer de assistir a um clássico de minha infância: Robocop, o policial do futuro. O filme, produzido em 1987, é conhecido pela quantidade de tiros e mortes apresentados ao público, que fica sedento por mais um tiro. Tudo isso misturado em uma fictícia Detroit do futuro, onde não há mais camada de ozônio e os estupros acontecem em plena luz do dia. Não há filmes mais assim. Os filmes hoje parecem querer “passar uma mensagem”, têm uma aura de politicamente correto que é extremamente irritante. Tenho certeza de que se um clássico como “O Poderoso Chefão” fosse lançado hoje, seria criticado ao extremo, por ter como protagonista um sujeito que manda matar o próprio irmão.
Serei bem honesto. Só vou ao cinema em último caso. Ainda existe muita velharia de qualidade que não assisti. Ao invés da turba que grita, bate palmas e joga pipoca para cima em numa sala com o volume do som explodindo, prefiro ficar sem camisa e descalço, refestelado no sofá de casa.


Tizzo Neto é publicitário e professor universitário.

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